
“Manter os pés no chão, sempre. Eu sei de onde eu vim”. Este é o lema do golfista Ronaldo Francisco que antes de ser profissional carregava tacos de golfe. Hoje, representa o clube Quinta do Golfe de Rio Preto e em dupla com o golfista Rafael Barcellos, irá disputar a Copa do Mundo de Golfe em novembro, na China. Há 11 anos o Brasil estava fora da competição.
Ronaldo Francisco e Rafael Barcellos terminaram a seletiva latino-americana para o torneio empatados na terceira colocação e ganharam a última vaga para o Playoff. O TEMMAIS.COM conversou com Ronaldo Francisco sobre esta façanha. Com a palavra, o caddie que virou campeão. Por: Natália Clementin
Como você começou no golfe?
Eu comecei como Caddie, que é o carregador de tacos aos 14 anos. E carreguei tacos até os 19 anos. Foi aí quando eu aprendi a jogar, comecei a me dedicar mais e em 1992, eu me tornei profissional. Isso tudo foi em Campinas, na minha cidade natal. Depois, me mudei para Bastos e depois, vim para Rio Preto.
Como foram as competições de classificação para o mundial?
Existem critérios. A primeira fase, eles selecionam os melhores jogadores do mundo. No caso, o Brasil não entra, pois não tem nenhum jogador bem classificado lá fora. E depois eles selecionam no segundo critério, que seriam os dois melhores de cada país. E eu tive a felicidade de estar entre estes dois.
O Brasil sempre tenta esta classificação todo ano?
Sim, o Brasil sempre teve representantes. Esta é a 3a vez que tento a classificação. Nas duas primeiras não consegui passar o corte, que são apenas 3 vagas. Na segunda tentativa, eu e o Rafael jogamos muito mal. Quando soubemos que seriamos novamente uma dupla este anos, nós nos fortalecemos, pois estávamos devendo ao Brasil esta classificação.

Como vocês treinaram mesmo estando separados?
O Rafael treina no São Paulo Golfe Clube e teve a rotina de treinos lá. Apenas dois dias antes nos reunimos em São Paulo para treinarmos juntos. E aí embarcamos, fomos para Caracas e deu no que deu, graças a Deus (risos).
Teve algum momento que vocês acharam que não ia dar para se classificar?
Não, desde o primeiro dia, mesmo errando algumas tacadas, nós sempre acreditamos que ia dar certo, mesmo com erros, nós tínhamos certeza que iríamos conseguir esta classificação.
E como foram as competições?
A modalidade é jogada em quatro dias. O primeiro dia é a soma da melhor bola da dupla que vale. O segundo dia era a modalidade mais difícil que tinha, chamada de batidas alternadas. Ou seja, eu batia a primeira bola, o Rafael a segunda e assim sucessivamente. E por incrível que pareça, o Brasil foi um dos melhores países a jogar esta modalidade. 15 países competiram e apenas três se classificaram. Não importava em que lugar nós ficássemos, nós queríamos nos classificar.
Como o apoio do Quinta do Golfe foi fundamental para você?
O apoio que tenho do Quinta do Golfe é a liberdade de poder usufruir do campo para treino, além das condições e suporte para ir para Caracas. Se eu não tivesse o apoio do Quinta do Golfe eu jamais conseguiria chegar aonde cheguei.
Há 11 anos o Brasil não tinha classificação. Qual foi sua reação ao consegui-la?
Na verdade a ficha começou a cair dias depois. Cheguei de viagem no sábado e fiquei até domingo sem conseguir dormir nada. A emoção para mim é poder legar o nome do Brasil em primeiro lugar e em segundo, levar o nome do Quinta do Golfe para a China.
E como está a expectativa para o Mundial?
Espero continuar treinando no mesmo ritmo que eu vinha. É um torneio com um potencial enorme, considerado um torneio de alto escalão, onde jogam os melhores do mundo. Poderemos ter a chance da nossa vida, só depende de nós.

Quais são suas dicas para quem quer começar a praticar golfe?
Todo jogador quando começa, tem que sempre traçar uma rotina. Ele não pode fazer uma aula hoje e voltar a treinar só daqui duas semanas. Tem que se dedicar e tirar algumas horas para treino. E concentração. Sem treino e concentração fica complicado para se aprender a jogar.
Com a classificação do Brasil no Mundial, você acha que o golfe irá crescer no país?
Com certeza, não só a incentivar a prática, mas acredito que essa classificação vai trazer muitos torneios de nível profissional para o Quinta do Golfe e outros clubes do Brasil. Teremos mais patrocínios, mais torneios e o golfe poderá se expandir ainda mais no país
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