Conheça a história do carregador de tacos que virou golfista profissional e jogará o Mundial na China

October 1, 2009

“Manter os pés no chão, sempre. Eu sei de onde eu vim”. Este é o lema do golfista Ronaldo Francisco que antes de ser profissional carregava tacos de golfe. Hoje, representa o clube Quinta do Golfe de Rio Preto e em dupla com o golfista Rafael Barcellos, irá disputar a Copa do Mundo de Golfe em novembro, na China. Há 11 anos o Brasil estava fora da competição.

Ronaldo Francisco e Rafael Barcellos terminaram a seletiva latino-americana para o torneio empatados na terceira colocação e ganharam a última vaga para o Playoff. O TEMMAIS.COM conversou com Ronaldo Francisco sobre esta façanha. Com a palavra, o caddie que virou campeão. Por: Natália Clementin 

Como você começou no golfe?
Eu comecei como Caddie, que é o carregador de tacos aos 14 anos. E carreguei tacos até os 19 anos. Foi aí quando eu aprendi a jogar, comecei a me dedicar mais e em 1992, eu me tornei profissional. Isso tudo foi em Campinas, na minha cidade natal. Depois, me mudei para Bastos e depois, vim para Rio Preto.

Como foram as competições de classificação para o mundial?
Existem critérios. A primeira fase, eles selecionam os melhores jogadores do mundo. No caso, o Brasil não entra, pois não tem nenhum jogador bem classificado lá fora. E depois eles selecionam no segundo critério, que seriam os dois melhores de cada país. E eu tive a felicidade de estar entre estes dois.

O Brasil sempre tenta esta classificação todo ano?
Sim, o Brasil sempre teve representantes. Esta é a 3a vez que tento a classificação. Nas duas primeiras não consegui passar o corte, que são apenas 3 vagas. Na segunda tentativa, eu e o Rafael jogamos muito mal. Quando soubemos que seriamos novamente uma dupla este anos, nós nos fortalecemos, pois estávamos devendo ao Brasil esta classificação.

Como vocês treinaram mesmo estando separados?
O Rafael treina no São Paulo Golfe Clube e teve a rotina de treinos lá. Apenas dois dias antes nos reunimos em São Paulo para treinarmos juntos. E aí embarcamos, fomos para Caracas e deu no que deu, graças a Deus (risos).

Teve algum momento que vocês acharam que não ia dar para se classificar?
Não, desde o primeiro dia, mesmo errando algumas tacadas, nós sempre acreditamos que ia dar certo, mesmo com erros, nós tínhamos certeza que iríamos conseguir esta classificação.

E como foram as competições?
A modalidade é jogada em quatro dias. O primeiro dia é a soma da melhor bola da dupla que vale. O segundo dia era a modalidade mais difícil que tinha, chamada de batidas alternadas. Ou seja, eu batia a primeira bola, o Rafael a segunda e assim sucessivamente. E por incrível que pareça, o Brasil foi um dos melhores países a jogar esta modalidade. 15 países competiram e apenas três se classificaram. Não importava em que lugar nós ficássemos, nós queríamos nos classificar.

Como o apoio do Quinta do Golfe foi fundamental para você?
O apoio que tenho do Quinta do Golfe é a liberdade de poder usufruir do campo para treino, além das condições e suporte para ir para Caracas. Se eu não tivesse o apoio do Quinta do Golfe eu jamais conseguiria chegar aonde cheguei.

Há 11 anos o Brasil não tinha classificação. Qual foi sua reação ao consegui-la?
Na verdade a ficha começou a cair dias depois. Cheguei de viagem no sábado e fiquei até domingo sem conseguir dormir nada.  A emoção para mim é poder legar o nome do Brasil em primeiro lugar e em segundo, levar o nome do Quinta do Golfe para a China.

E como está a expectativa para o Mundial?
Espero continuar treinando no mesmo ritmo que eu vinha. É um torneio com um potencial enorme, considerado um torneio de alto escalão, onde jogam os melhores do mundo. Poderemos ter a chance da nossa vida, só depende de nós. 

Quais são suas dicas para quem quer começar a praticar golfe?
Todo jogador quando começa, tem que sempre traçar uma rotina. Ele não pode fazer uma aula hoje e voltar a treinar só daqui duas semanas. Tem que se dedicar e tirar algumas horas para treino. E concentração. Sem treino e concentração fica complicado para se aprender a jogar.

Com a classificação do Brasil no Mundial, você acha que o golfe irá crescer no país?
Com certeza, não só a incentivar a prática, mas acredito que essa classificação vai trazer muitos torneios de nível profissional para o Quinta do Golfe e outros clubes do Brasil. Teremos mais patrocínios, mais torneios e o golfe poderá se expandir ainda mais no país

Link para esta matéria no TEMMAIS.COM>> Clique aqui

Destaques da matéria:


Na cola do NxZero em Rio Preto

June 30, 2009

Estive no lugar onde qualquer fã da banda NxZero iria querer estar. Colei nos meninos desde a chegada em Rio Preto, até o momento da partida. Engraçados e super solícitos com as fãs, a banda vive na correria e trabalha muito. Veja só tudo que rolou nos bastidores dessa aventura. Por: Natália Clementin

17h
NxZero chega em Rio Preto. Na porta do hotel, fãs se aglomeram para ver os ídolos. Atenciosos, antes de subir aos quartos, eles atendem os fãs, tiram fotos e ganham presentes. Depois, sobem aos quartos para descansar.

21h30
Hora de ir ao show. A produção se prepara e desce ao saguão do hotel. Os seguranças aguardam na porta da van. Ao sair, muita correria, choro e flashs. Eles saem rápido, mas param para mais fotos.

Na van, começamos a nossa conversa:

“Vocês viajam de que?”
Conrado/Caco:
Jegue, mula, barco, carroça… (risos)
Leandro/Gee: Quando a cidade é mais próxima de São Paulo, tipo umas 3h, vamos de van, senão viajamos de ônibus
Daniel/Dani: Quando é muito longe, vamos de avião

“ E para passar o tempo?”
Dani:
Dormimos, lemos um livro

“ E vocês aguentam viajar tanto?”
Fii:
Nós nos acostumamos
Caco: Quando chegar segunda-feira eu penso “Vai demorar para chegar a quinta”, porque sei que vamos viajar e começo a semana feliz. Eu gosto muito.
Diego: Acho que quando tivermos família, filhos, aí será mais difícil

“Vocês moram todos em São Paulo. Com a família ou sozinho?”
Diego:
Só eu moro com a família

“E eles ligam toda hora, não ficam preocupados?”
Diego:
Não, minha família me apóia muito. Então nem sei quando eu vou mudar

O fotógrafo Abrahão Hackme sugere uma foto com os adesivos do prêmio Multishow, onde a banda disputa em algumas categorias. Todos se posicionam. O motorista da van está no meio do caminho. Lá, além da banda estão: dois produtores, segurança, eu e o fotógrafo. No carro atrás, mais pessoas da produção.

Dani: Adoro esse cheiro de adesivo. E passa um para mim.
“É que nem cheiro de posto de gasolina, né? Você coloca a cabeça para fora para sentir”
Gee: Éeeee!!!
Caco: Nossa, fizeram uma modificação no meu carro, agora ele cheira borracha e resina
“Você vai entrar nele agora só por causa do cheiro?”, disse
Os meninos riem

De repente, percebi uma conversa entre Diego e Conrado:
Caco: Foi o que eu entendi. Ele falou “eu gosto de vocês, mas vocês tocam mal”
Entrei no papo: “Quem falou isso pra você?”
Caco:
Um menino no hotel. Ele me deu um CD da banda dele, mas ainda eu não ouvi. Mas eles estavam no quarto embaixo do meu tocando violão. Eu ouvi eles tocando Fresno, músicas nossas

“Então eles se hospedaram lá exatamente para chamar atenção de vocês assim”
Caco:
Mas eu achei legal! Pô, a galera tocando suas músicas, pessoal da nova geração que gosta da sua banda assim, muito legal

“Você não bateu na porta deles não?”
Caco:
Não! Ele falou para mim quando me entregou o CD “Estamos no quarto debaixo, se você não tiver com sono, passa lá para agente fazer um som”.

“E você não foi porque?”
Caco:
Fiquei assistindo Alexandre, o grande. E ele era um cara… (fez um sinal positivo). Ele que deu nome aos macacos, vocês sabiam?
Fii, Daniel e Gee começam a dar risadas
Caco: É verdade! Ele perguntou “quem são aqueles em cima das árvores”. Aí falaram para ele “são animais” e ele disse “então chamarei de macacos” (falou imitando uma voz mais grossa).
Gee começa a rir muito

Gee lembra que segunda tem ensaio e conversa com Daniel
“E como está a produção do disco novo?”
Dani:
Agora ensaiamos todo dia
Gee: Só quando viajamos que damos um tempo, mas estamos sempre pensando no disco

Diego: Estamos de luto por causa do Michael Jackson
O fotógrafo sugere: “Vocês não vai fazer nenhuma homenagem no show”
“Podia né? Ele deu uma boa ideia”, completei

Conrado começa a falar várias coisas e ter idéias absurdas
“Eu acho que o filme “Alexandre, O grande” afetou um pouco o cérebro dele”, comentei. Todos riram

22h15
Chegamos ao recinto onde o NxZero faria o show às 0h. Eram 22h15 e no palco, só produção. Aos poucos, os fãs do fã-clube que seriam atendidos no camarim chegaram. Eles eram organizados pelo produtor, que conferia os documentos. No camarim, muita agitação. As luzes vermelhas improvisaram um clima de “balada”. O som era da banda, transportado por todas as cidades onde eles vão.

“ Vocês atendem sempre os fãs?”
Gee:
Todo show, chegamos duas horas antes para atender os fãs.
Fii: Depois aquecemos para fazer um bom show

“ Isso tudo aqui é exigência de vocês?”
Conrado:
Pedi uma tomada 110. (rs)
Gee: Tem o básico para comermos e bebermos alguma coisa
Dani: A banda faz uma lista básica, mas sempre tem bastante coisa
Gee: Eu por exemplo, nem jantei porque sei que vou comer agora

O que tinha no Camarim do NxZero?
Pão e frios, muitos salgadinhos e chocolates, energético, sucos, água e frutas

23h
Chegou a hora de receber a imprensa e os fãs. No camarim, choradeira, fotos e mais presentes.

Converso então com os seguranças para não atrapalhar o momento de quem sonhou com aquele abraço

“Para entrar no camarim, só quem está autorizado, né?”
Sandro:
Sim, aqui ninguém entra sem autorização
“E tem fã que conta histórias e tenta te convencer a deixar entrar?”
Sandro: Muitas. Tem gente que fala que é “filho de tal”, “amigo de tal”. Mas não cola, aqui a segurança é muito organizada

0h15
Gritos no camarim. Concentração é o que eu ouvi antes do Nx sair para tocar. E vão para o palco. São 1h15 de show.

Os meninos mostram domínio e não se cansam nunca de pular, agradecer aos fãs presentes e agitar. Em um ponto alto, eles fazem a tal homenagem à Michael Jackson sugerida por nosso fotógrafo. Confira o vídeo clicando aqui.

[Link original> http://temmais.com/diversao/noticias_diversao.asp?codigo=307]


Entrevista: O Rappa

June 26, 2009

Levante a mão quem nunca ficou com as músicas do O Rappa balançando na cabeça? Inegável dizer que o ritmo e a melodia são o forte de Marcelo Lobato (teclados), Lauro Farias (baixo), Xandão Meneses (guitarra) e Marcelo Falcão (vocal). Talvez isso explique os mais de 16 anos de estrada, cinco milhões de CDs e 230 mil DVDs vendidos.

A expectativa sob o último álbum, 7 vezes, foi grande. O que explica são os cinco anos sem lançar material inédito. O novo álbum traz 13 composições e a regravação de Súplica cearense, de Nelinho e Gordurinha, gravada anteriormente por Luiz Gonzaga e atual música de trabalho.

O repertório dos shows juntará antigos sucessos da banda: Minha alma, Me deixa, Reza vela, O que sobrou do céu e Pescador de ilusões, às novas como Monstro invisível, a faixa-título, Hóstia e Meu santo tá cansado, que abre o show e o CD, entre outras. A turnê passará por mais de 30 cidades do Brasil e Rio Preto será uma delas, onde O Rappa estará nesta quinta-feira. O TEMMAIS.COM conversou com a banda. Por: Natália Clementin

Como está sendo a turnê do novo álbum? Quais as novidades da banda?
Estamos com a agenda lotada até o final do ano. Já passamos por quase todo o Brasil. A turnê do 7 vezes está indo muito bem. Estamos aguardando o nascimento do nosso filho, o DVD

Sobre ele, já está definido como será?
Chamamos o diretor Bruno Barreto, ainda estamos fechando as idéias com ele. Na verdade, ainda temos muito o que conversar. Já existe uma idéia de locação não confirmada. Mas a idéia é a participação total do nosso público.

A violência sempre esteve de algum modo liga à trajetória da banda. Como a música pode contribuir para acabar ou diminuir com este problema?
A música própriamente não tem este poder, mas pode trazer um fator agregador e amenizador em relação às agruras por que passamos. Pode ser uma válvula de escape. Uma forma de por os bichos para fora e fazer muita gente feliz. A violência tem muito a ver com a ignorância, a falta de expectativa e perspectiva. Se você consegue traduzir essas coisas em música, talvez alguém se identifique de alguma forma e compactue com a sua forma pacífica de pensar. E quem sabe, agir.

Vi no blog oficial de vocês, que às vezes ficam sem dormir? Como vocês driblam essa “dificuldade” para conseguir aguentar a jornada de shows?
Depois de viver um tempo desta maneira, o seu corpo se adapta. Talvez a equipe técnica sofra mais, pois eles têm que estar sempre adiante para viabilizar os shows. Durante a semana tentamos carregar as baterias, ficar com a família.

Quais são as bandas que vocês curtem? Tem alguma no cenário independente que vocês escutam e apostam?
Ouvimos de tudo. Gostamos de Bebeto, Jorge Benjor, Led Zeppelin, Black Uhuru, Capleton, Sizzla, King Sunny Adé, James Brown, Gonzagão, Gil, Stravinsky, Debussy, Ravel, Ali Farka Touré, Radiohead, Kraftwerk, Guitarrada, Linton Kwesi Johnson, Beatles, Ramones, Alice in Chains…Enfim, não fazemos diferenciação. Temos escutado Casuarina, Renegado, Aline Calixto.

Vocês acham importante esse registro da turnê via internet? Como isso agrega no contato com o público externo?
Com esse registro, o contato com as pessoas é mais rápido e direto. Podemos descobrir pessoas fora do Brasil que curtem o nosso som também. É claro, trocar informações com outros músicos e bandas

Como foi passar com a turnê pela Europa? Qual foi a recepção por lá? Os fãs são diferentes no exterior?
Tivemos a chance de fazer seis shows na Europa. Estivemos em Lisboa, onde o Rappa já é bem mais conhecido, duas noites em Londres (Coronet, Guanabara), Paris, Torino (com direito a presença no palco de Ronaldinho Gaúcho) e Barcelona. Uma recepção maravilhosa. Foi uma das melhores turnês fora do Brasil

Link original> http://www.temmais.com.br/diversao/noticias_diversao.asp?codigo=295


Alexandre Hohagen (presidente do Google para a América Latina) por Horacio Lafer Piva

May 29, 2009

Prato nas mãos, Horacio Lafer Piva aguarda numa peque- na fila para se servir de salada, rondeli e carne assada. Membro do conselho de administração da Klabin e de outras seis empresas, Piva está no bandejão onde almoçam os funcionários do Google, no 5º andar da sede da empresa, na Zona Sul de São Paulo. Ligeiramente à frente na fila, Alexandre Hohagen, presidente do Google para a América Latina, conta a Piva que os funcionários nada pagam pelas refeições, que são tão informais quanto a cultura da empresa. Momentos antes, Hohagen levara Piva para uma volta pelo andar, onde os googlers trabalham em estações com móveis modernos, decorados com bichos de pelúcia, adesivos e até por uma barraca de camping armada ao lado de uma das mesas. “Saímos de três funcionários, há três anos, para 250, hoje. Mas fazemos questão de manter um ambiente de trabalho divertido”, diz Hohagen. “Os funcionários até recebem um incentivo para decorar suas mesas.” E como são suas metas?, quis saber Piva. “São superagressivas. Estamos crescendo muito no Brasil”, afirma Hohagen, que vê na crise uma oportunidade para o Google. Sua previsão “pessimista” de crescimento para este ano é de 70%. Já acomodados à mesa de almoço, Piva tira do bolso suas questões e começa a entrevista que você lê nas próximas páginas. Entre os assuntos, a cultura Google, inclusão digital corporativa e as ainda deficientes, segundo eles, formas de uso da internet pelas grandes empresas.

Horacio Lafer Piva – Minha primeira pergunta é irrespondível. Tem um emprego pra mim no Google?
Alexandre Hohagen –
Esta é fácil. Quando a gente pensar em montar um conselho por aqui você será o primeiro convidado.

Horacio Lafer PivaPiva – Você está convencido de que a melhor forma de bilhetar seu negócio é a que vocês têm hoje? Como se ganha dinheiro, se você não consegue bilhetar a pesquisa? O Google conseguiu criar valor para coisas novas, para a informação. Antes, informação era poder, porque não estava disponível. Que mudança isso vai provocar no mundo?
Hohagen –
Qual é a nossa visão de produto? Por que ter o YouTube e o Orkut? Existe uma crença na companhia de que se a gente criar bons produtos e fizer com que o usuário veja valor neles, em algum momento o dinheiro vem. Existe, sim, um potencial enorme para monetizar vários produtos que hoje não o são. Quando nos perguntam o que vocês vão fazer daqui a cinco anos com essa informação toda, é difícil dizer. Hoje ela é tratada com sigilo. Mas com a tecnologia vamos conseguir fazer uma leitura do que o Horacio mais gosta, do que mais busca, lê, para poder dar um serviço customizado. É o que já faz a Amazon. Em algum momento, a sociedade terá de decidir qual é o nível a que a tecnologia pode ir para captar informações, para que a gente possa entregar um serviço melhor. E teremos quem pague por ele.

Piva – Diante desse novo modelo, acho que as empresas precisam começar a pensar em sair um pouco fora da caixa, principalmente nesses tempos de crise.
Hohagen –
Essa crise financeira está se transformando numa grande oportunidade para empresas de tecnologia e para o Google. Primeiro, porque as pessoas vão ser muito mais criteriosas naquilo que querem, que compram. Não vejo melhor forma de fazer isso do que pela internet. Você não vai ficar rodando a Teodoro Sampaio [rua de comércio em São Paulo] para achar um móvel mais barato. O ponto dois é que as empresas vão querer ter métricas de mensuração do que está funcionando ou não, e aí, de novo, a internet vai ajudar. Mas é fato que as grandes corporações deram um passo atrás para entender essa crise, e as áreas de mídia e publicidade foram as primeiras afetadas, porque é fácil cortar aí. Mas também são as primeiras a voltar e o fazem numa velocidade muito rápida.

Piva – Sua receita vem de publicidade?
Hohagen –
Do total, 98% vem de publicidade e mais ou menos 2% de alguns produtos que a gente oferece para as corporações. E aí tem outra oportunidade enorme na crise. Temos uma série de produtos chamados Google Apps, aplicativos que não necessitam de infraestrutura de tecnologia para rodar. Um exemplo é a solução de e-mail. Este ano vai ser importante para a Google Enterprise e para esses produtos, porque vamos mostrar que há oportunidade de redução de custos, usando esses serviços.

Piva – A internet vai permitir às empresas, na crise, otimizar a própria base de colaboradores. Quando lhes dou a capacidade de pesquisar, possibilito a eles exercer seu lado criativo.
Hohagen –
Os anunciantes menores não sentiram ainda a crise. A busca também não parou, não caiu. Pelo contrário, cresce. O que vemos são buscas mais relacionadas a melhores produtos, menores preços, promoções. Há, na crise, uma grande oportunidade para as empresas aprenderem mais sobre a internet. A Casas Bahia é um exemplo interessante. Eles fizeram um movimento superinteligente, de criar uma base de cartões de crédito antes de lançar o site. Estou curioso para saber qual será a relação da loja online com as físicas, porque é um movimento bastante agressivo para este momento.

Piva – As empresas estão preparadas para essas mudanças do mundo? Sinto que elas estão muito amedrontadas.
Hohagen –
São poucas as empresas que usam bem a internet. Fazer o blog do presidente, todas fazem. Mas imagina criar uma base de informação que dispense um call center com mil pessoas? Fazer com que a comunidade pergunte e responda? Não vejo isso ainda.

Piva – Você acha que o Google vai crescer aí, prestando esse tipo de serviço?
Hohagen –
Por pior que este ano possa parecer, minha previsão mais pessimista é de crescer acima de 70%, o que é impressionante. No ano passado, com um quarto trimestre difícil, já em plena crise, ultrapassamos 100%. O Brasil foi a subsidiária que mais cresceu no mundo nos últimos três anos. Então existem, sim, muitas oportunidades. A publicidade ainda será o core, por meio de busca, que é o nosso negócio.

Piva – A cultura Google é única. Isso aqui é uma empresa que tem processos? Olho para essa rapaziada e penso: será que adiantou alguma coisa o que eles aprenderam na escola? Pergunto isso porque acho que está havendo hoje no mundo uma reformatação da forma de pensar. A academia acompanha a velocidade dos projetos do Google?
Hohagen –
O Google é uma empresa extremamente informal, cujo maior valor é o capital intelectual. O processo inicial de se trabalhar aqui é o de desconstrução do que se aprendeu, partir do zero mesmo. Apesar de o background acadêmico ser importante, já de cara a gente percebe se uma pessoa se encaixa ou não na cultura. O Google tem, sim, processos, mas muito menos do que em outras companhias. Nossos processos estão vinculados a ferramentas de gestão e de interação com os clientes. Somos uma ferramenta de publicidade onde milhares de anunciantes vêm com seus cartões de crédito, criam suas campanhas e a gente tem de dar vazão e eficiência para essa interação. Nisso há processos. Mas no dia a dia, no modo de se comportar, não há. Quanto mais processos se estabelecem, menos criativos eles ficam com o tempo.

Piva – Você acha que as pessoas entendem o Google? Não a sociedade que pesquisa, mas as empresas. As grandes corporações não deixam o funcionário usar o YouTube porque acham que consome banda ou tem problemas de segurança. De alguma forma, estão restringindo o acesso à informação. Até onde as corporações estão preparadas para a liberdade que o Google dá?
Hohagen –
O grande diferencial do Google foi ter criado uma ferramenta para massificar a publicidade, ao permitir que os próprios usuários criem suas campanhas. Mas, no Brasil, ainda temos ascensorista nos elevadores e um cara para colocar gasolina no carro. Ao mesmo tempo, somos um dos países mais avançados no Imposto de Renda online. O medo da tecnologia não existe no Brasil. O fenômeno do Orkut é uma prova disso. As empresas brasileiras não entenderam ainda como é que podem direcionar essa liberdade de acesso ao conteúdo para coisas positivas. Um caso clássico é o do biscoito Deditos, da Nestlé. Um cara do marketing da Nestlé estava navegando no Orkut e achou uma comunidade com 500 mil pessoas pedindo a volta do Deditos, que havia saído de linha. Eles economizaram alguns milhões de dólares em pesquisa. Esse é um exemplo de como as empresas podem utilizar as informações disponíveis de uma maneira produtiva. Bloquear é uma bobagem.

Piva – Uma coisa que acontece na sua indústria, e não sei que tipo de reflexo pode ter nas outras, é o fato de cada vez termos mais velocidade, mais largura de banda, memória mais barata e, com isso, o custo das coisas vai tender a zero. Como essa economia da gratuidade vai afetar outros segmentos? Estamos também no mundo da escala. Só vai sobreviver quem tiver escala?
Hohagen –
Permitimos que as pessoas acessem a informação onde quer que estejam. É um trabalho de massificação mesmo. É dar condições para que o Joãozinho, que tem uma fábrica de compotas em casa, e que jamais poderá colocar um anúncio nos jornais, possa criar uma campanha publicitária, colocá-la no ar e aparecer para o mundo. Temos as grandes empresas também, como Bradesco e Itaú, que fazem campanhas, usam o YouTube, mas o interessante é fazer essa inclusão digital corporativa. Poder colocar qualquer negócio dentro desse universo. É fascinante ver o potencial que isso tem num país como o Brasil, com tanto empreendedor, um país que já passou por tantas crises e que agora está tendo de se virar de novo.


Entrevista: Banda 9 Mil Anjos

May 28, 2009


Link original
> http://www.temmais.com/diversao/noticias_diversao.asp?codigo=214

Confesso que não tinha ainda me interessado pela 9 Mil Anjos antes de receber a tarefa de entrevistá-los. Em meio a comentários bons e ruins, pesquisei sobre a banda. Alguns se explicavam por ser projeto do ex-Sandy&Júnior e por isso estavam em evidência, outros diziam que a banda era livre e sonora. Tive que tirar minhas próprias conclusões.

Eu isolaria o fato de que a banda é formada por Júnior Lima e outros integrantes de bandas famosas. Tirando isso, uma coisa é fato, a 9MA possui músicos experientes. Por isso, a cobrança é grande. Por enquanto, os músicos estão tocando e ganhando a vida do jeito que mais gostam: fazendo rock. A banda estará em Rio Preto nesta quinta-feira, no Automóvel Clube. O TEMMAIS.COM entrevistou a banda e adiantou para vocês detalhes do show. Por: Natália Clementin 

A banda foi formada por músicos experientes. Isso não comprometeu o trabalho com outras bandas?
Champignon (baixista):
Acho que não. Muito pelo contrário, acho que veio a somar. Cada um pode trazer suas referências e experiências para dentro do projeto. Sempre com o cuidado de nos distanciarmos ao máximo dos estilos anteriores para trazer uma sonoridade da nova banda.

O nome 9 Mil Anjos é muito interessante. Como vocês chegaram nele? Quais são as dicas para bandas acharam nomes legais?
Peu Sousa (guitarrista):
Obrigado pelo elogio! (rs). Veio de um sonho. Cerca de um ano e meio antes de formar a banda com Junior, Champignon e Perí eu acordei de um sonho com estas três palavras na cabeça: nove, mil e anjos. Fiquei com uma imagem positiva em mente. Os músicos curtiram o significado e resolvemos batizar o nome da banda. O número nove tem uma simbologia de “novo”. E anjos tem um significa positivo. Dica para bandas? Escolham um nome que represente algo positivo pra vocês! Além de ser original, impactante, simpático e sonoro.

Qual o som do 9MA? Como ele foi definido?
Junior Lima (baterista):
Nosso som é rock. Ele não foi “definido”. Foi o que rolou musicalmente entre nós quatro. É o som que curtimos fazer juntos!

Júnior, como é tocar um estilo diferente do que você fez a vida toda, como está sendo a experiência?
Junior Lima (baterista):
Aconteceu naturalmente. Nos últimos anos de estrada ao lado da Sandy nós já havíamos deixado nosso som mais pop-rock. Isso sem contar que a bateria sempre foi minha grande paixão. Tem sido uma experiência incrível e estou muito feliz neste novo projeto.

Primeira vez em Rio Preto, qual a expectativa de tocar por aqui?
Perí (vocalista):
Sim, primeira vez! Estamos a mil por hora para fazer um super show. Rola uma ansiedade, adrenalina total. Espero que possamos superar as expectativas da galera aí de Rio Preto.

O que a galera pode esperar do show de vocês?
Champignon (baixista):
Podem esperar um show cheio de energia e vibração. Estamos com muita vontade de tocar aí pra galera de Rio Preto e região. Teremos músicas próprias, do nosso álbum de estreia, como por exemplo, Chuva Agora, Vício, Visionário e outras. Faremos alguns covers sim! “Tive Razão”, do Seu Jorge, e “Come Together”, dos Beatles, são alguns exemplos de releituras que fizemos pra apresentar e animar a galera.

Vocês são ligados na internet? Como a banda utiliza esse meio para divulgar o som?
Perí (vocalista):
Muito ligados!! Ela é nossa grande aliada. Hoje em dia a internet é uma das maiores e melhores ferramentas pra se divulgar uma banda. Além de uma infinidade de pessoas terem acesso ao seu trabalho, existe uma ótima oportunidade do músico se comunicar diretamente com seu público. Temos site oficial, comunidades no orkut, blogs, fotologs, twitter, Myspace etc.

Na internet, a Wikipedia tem a seguinte descrição da banda: “Formada em 2008, a Nove Mil Anjos ganhou logo destaque e interesse no cenário nacional devido à sua formação, e não pela qualidade das músicas, que é considerada de gosto duvidoso”. O que vocês acham desse comentário?
Peu Sousa (guitarrista):
A internet, por ser um local livre, faz com que todas as pessoas possam emitir os mais diferentes tipos de opinião. Se vocês derem um “google” com o nome da banda, poderão encontrar, assim como na wikipedia, comentários bacanas e ruins a nosso respeito. Assim como a respeito do Ronaldo ou qualquer outra pessoa, desde que essa pessoa esteja em evidência. Por isso temos consciência de que nossas críticas são do tamanho de nossa exposição. As pessoas são livres para se expressarem e nenhuma banda é unânime. A única coisa que me incomoda é “pré-conceito”. As pessoas falarem mal sem ao menos escutarem ou conhecerem as nossas músicas.

Mande um recado para os internautas do TEMMAIS.COM
Para toda galera que acessa o TEMMAIS.COM o nosso grande abraço! Muito obrigada pela visita aqui no site. Esperamos todos vocês no nosso show aí em Rio Preto! Para quem já é fã da banda, nosso muito obrigado por toda a força de sempre! E para quem ainda não teve a oportunidade de conhecer nosso som, entre no nosso site oficial e ouça nossas músicas! Acesse http://www.novemilanjos.com.br. Abração!!! Valeu. 9MA


Entrevista: Chico Pinheiro toca jazz e diz o estilo ganhou força no Brasil

May 18, 2009


Considerado um dos artistas mais expressivos da música brasileira contemporânea, Chico Pinheiro começou a carreira bem cedo, aos 7 anos, tocando violão e piano. Formado pela Berklee College of Music, em Boston, Chico é hoje celebrado como excepcional instrumentista e compositor único, reconhecido por grandes nomes da música como uma das novas referências, um novo sopro na música brasileira. Confira abaixo uma entrevista exclusiva para o TEMMAIS.COM. Entrevista: Natália Clementin
Estudar música no exterior fez diferença?
Sim, foi fundamental, especialmente pela convivência com músicos de todos os continentes. A gente se sente mais brasileiro do que nunca e percebe que o RG de nossa música é reverenciado pelo mundo. Tive a oportunidade de tocar e conviver com músicos americanos, africanos, asiáticos, de toda a América do Sul, que certamente não conheceria tão cedo se não fosse o fato de ter morado fora e estudado na Berklee.
Seu primeiro CD foi muito bem recebido no exterior. No Brasil houve  a mesma recepção ou você acredita que no Brasil o jazz não é tão enxergado
Creio que sim. As vendas foram bastante significativas para um primeiro CD,  viajamos pelo Brasil todo em turnê patrocinada, o que  foi muito bacana para a divulgação o trabalho. É claro que um trabalho independente tem um ‘timming’ diferente de um cd de grande gravadora, com estrutura de marketing pesada, mas com certeza ele alcançará o público que lhe é reservado. Acho que a música instrumental no Brasil ganhou força e espaço nos últimos tempos e, embora minha música tenha muitas intersecções com o Jazz, é brasileira em sua essência. No caso desse projeto, ainda mais calcada na canção o que sem dúvida confere um outro alcance: a canção fala diretamente ao coração das pessoas.
Como foi ser o único brasileiro a tocar no palco JAZZ do Tim Festival?
Foi uma experiência muito rica. Acredito que toda forma de intercâmbio seja vital para que a música pelo mundo prossiga sendo reinventada. Todos esses grandes Festivais servem muito bem para isso.
O que você ouve?
Muitas coisas. Mas ouço sempre Moacir Santos, Custódio Mesquita,  Ataufo Alves, Ary Barroso, Jobim, Edu Lobo, Chico Buarque, Clube da  Esquina. Villa Lobos, Maria Bethânia, Garoto, Raphael Rabello, Baden  Powell, e por aí vai.
Você já teve oportunidade de tocar com vários artistas, qual deles foi o mais prazeroso, porque?
Diversos, mas creio que a Rosa Passos foi special, pela musicalidade extrema, Anthony Wilson, Speranza Spalding, Fleurine e Brad Mehldau,  Guinga, Eddie Gomez, Chris Potter… Todos eles foram mágicos.
Você declarou que compõe no piano, mas é violonista. Como é isso?
Componho muito no piano, pois o instrumento oferece recursos harmônicos diferentes dos do violão. Quando componho no violão, uma determinada música sai com um jeito,  caminhos próprios do instrumento. No piano a coisa vai para outro lado. Já aconteceu de eu começar a compor alguma coisa no violão, e no meio partir para o piano (e vice-versa), por sentir necessidade, intuitivamente, é curioso.
Como foi a parceria com o violonista Anthony Wilson? Como rolou, qual foi o resultado?
Foi muito prazeroso. Estava gravando meu segundo cd no Rio e recebi um e-mail do Anthony. Passamos a trocar figurinhas e, finalmente, um ano depois, ele veio, ficou em casa por três dias e não paramos de tocar.  Minha namorada não aguentava mais tanta música pela casa. Foi a partir desse encontro que decidimos realizar o “NOVA”. Excursionamos algumas vezes os EUA e fizemos o lançamento pelo Brasil também, pelo meu selo,  e continuamos a fazer shows quando temos tempo, pois tanto eu como ele  sempre estamos correndo e ele mora em Los Angeles e eu em São Paulo. Mas quando nos reunimos é uma festa.
O que você acha do projeto da Virada Cultural?
Acho maravilhoso, e sem nenhuma rasgação de seda. Pela primeira vez, para minha alegria, estou indo para Araçatuba, na do Estado. Qualquer artista fica contente em poder tocar em um evento tão eclético e acessível, para diferentes platéias. É muito gratificante. Estamos com uma expectativa boa.
 

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Entrevista: Sepultura enche Rio Preto de energia e muito metal na Virada

May 17, 2009

 

Quando a maldição foi lançada, poucos imaginavam que aqueles despretenciosos garotos iriam voar tão longe. Como muitos sabem o SEPULTURA nasceu como uma brincadeira no começo dos anos 80 na cidade de Belo Horizonte. Mas o destino foi generoso, e não brincava, quando colocou no caminho do metal os integrantes da banda. O vocalista Andréas conversou com o TEMMAIS e contou sobre sua expectativa para tocar em Rio Preto e, suas apostas para o futuro do heavy metal. Entrevista: Natália Clementin
Como é fazer tanto sucesso no mundo todo? Os fãs no exterior são diferentes dos brasileiros?
Não são muito diferentes não, todos escutam as mesmas musicas e tem os mesmo ídolos, claro que ha diferenças culturais de país para país, mas de maneira geral agem da mesma forma.

Vocês usam a internet para divulgar os trabalhos da banda?
Com certeza, é o caminho mais rápido de se atingir as pessoas. Nós temos o nosso site oficial (www.sepultura.com.br), a pagina no myspace, facebook, orkut etc…

O público de vocês no exterior é forte, ainda estão tocando por lá? Como está esse relacionamento com os fãs internacionais?
Nunca paramos de tocar, acabamos de voltar da Europa onde fizemos a primeira parte da tour do A-lex, tocamos com o Iron Maiden na Argentina, com o Saxon na Inglaterra e agora no verão Europeu voltaremos para os festivais.

Como vocês vêem as bandas que tocam heavy metal hoje? Eles seguem as origens do som?
Cada um tem uma influência. O metal sobrevive assim, integrando estilos e características diferentes para se manter vivo e forte.

Quais são as bandas que vocês veem como destaque no cenário atualmente? Tem alguma aposta independente?
Claustrophobia, Torture Squad e muitas outras que tem grande potencial para uma carreira de sucesso

O que vocês ouvem de música brasileira?
Eu gosto muito de Villa Lobos, João Pernambuco, Garoto, Baden Powel, são grandes compositores para o violão. Gosto de Titãs, Paralamas, Ira, Pitty, Skank etc.

O que vocês acham do projeto da Virada Cultural?
Fantástico, uma grande iniciativa do governo paulista e tem crescido a cada ano.

Como será tocar em Rio Preto?
A expectativa é grande. Vamos tocar temas do disco novo, A-lex, e também tocar temas de todos os discos do Sepultura.

O que podemos esperar do seu show na virada?
Muita energia e muito metal. Estamos muito ansiosos para tocar.

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Entrevista: Sandália de Prata fará show na abertura da Virada em Araçatuba

May 16, 2009

Muito tempo e influências. É isso que a música da banda que vai abrir a Virada Cultural de Araçatuba tem. A mistura de jazz, do soul e até do rap com a música brasileira, impressiona. Conversamos com o vocalista Ully Costa para saber como está a expectativa da banda para tocar em Araçatuba e o que eles estavam pensando quando misturaram tantas sonoridades em suas músicas. Entrevista: Natália Clementin
Como a banda começou?
A banda se formou em abril de 2004, sendo que já tocávamos juntos em outros projetos desde 1994. No início eram apenas cinco integrantes. Com um ano e meio de banda entraram o percussionista e o naipe de metais (sax, trompete e trombone). Apesar de a banda ser de São Paulo, o projeto se formou em Campinas, com a primeira apresentação na Casa São Jorge, uma das casas mais bacanas do interior paulista.

Porque vocês resolveram tocar esse estilo?
Cresci nesse universo da boa música brasileira que valoriza a poesia e a historia cantada. Sempre ouvi muito samba, Roberto Ribeiro, Martinho da Vila, Gerlado Filme…Então, foi inevitável o vício pela batucada e pelo suingue. O Samba-rock e a gafieira sempre estiveram presentes no repertório dos músicos da banda. Porém, o som da banda hoje mistura tudo isso a elementos do jazz, do soul e até do rap.

Como é ser um artista samba rock em um país cheio de culturas e diferentes estilo musicais?
Nossa música é como o nosso povo, muito bem temperada.Tudo influência em tudo, não dá mais pra ser purista. Somos parte desse todo e acredito que estamos na linha da mais moderna tradição brasileira, a da antropofagia, onde as nossas culturas mais profundas absorvem o que vem “de fora” , gerando uma nova cultura, também brasileira. Basta termos espaço pra tocar, que todos que ouvirem vão receber e gostar do que fazemos, por que fazemos com verdade.

Quais são as bandas que fazem a cabeça do Sandália de Prata?
Muitas!….Não dá pra citar todo mundo…Nessas listas sempre acaba ficando alguém de fora. Mas posso falar de mestres como João Bosco, Gil, Jorge Benjor, Elis, Candeia, Roberto Ribeiro…Fora os brasileiros, claro, por aqui ouve-se muito James Brown, Bob Marley, Erikah Badu…Fora que tem muita gente boa na nova geração, como Curumin, Móveis Coloniais de Acaju, Anelis Assunção, Iara Rennó, Céu…

O que vocês acham do projeto da Virada Cultural?
Fundamental.Todo tipo de projeto que abra espaço pra arte em geral é necessário e bem vindo. Um povo que conhece e reconhece sua arte e sua cultura será um povo mais forte.

Como será tocar em Araçatuba? Como é o público de vocês aqui, já que já vieram aqui em outras oportunidades?
Costumamos dizer que não há nada melhor do que tocar no interior de São Paulo. Já estivemos nos apresentando na região e fomos sempre muito bem recebidos, por um público carinhoso, que participa do show dançando e cantando. Esse é o maior e melhor retorno que podemos ter, sempre.


Ludov dá pulos de alegria por ser convidado para a Virada

May 15, 2009

Certamente o Ludov pulou de alegria após o convite para tocar na Virada Cultural. A banda fofa, com vocalista feminina, ganhou destaque após faturar em 2004 prêmio no VMB na categoria independente. Recentemente, o grupo foi convidado pela Disney para regravar em português canções do filme High School Musical. Será que o convite assustou a banda? Confira. Entrevista: Natália Clementin
Como foi a formação da banda?
O Ludov se formou em 2002. Alguns de nós já tocávamos juntos em outra banda, tínhamos ficado uns meses sem tocar antes de começar o repertório do Ludov. O tipo de música acho sempre difícil definir. Aliás, não só difícil, mas pelo menos para nós mesmos, inaconselhável. O legal do Ludov é absorver todas as nossas influências – samba, tango, erudita num formato de banda de rock.
A música sofreu mudanças estéticas comparadas com o início?
Claro, nossa música muda constantemente, junto com nossas mudanças pessoais.
Como rolou o convite da Disney para fazer versões das músicas do High School Musical?
Ligaram diretamente pra gente interessados em uma banda que pudesse fazer uma versão original e autêntica da música do filme. De certa forma, conseguimos manter a cara do Ludov, por difícil que seja defini-la, nessa versão.
Vocês ficaram preocupados em não ser exatamente o público que vocês atingiam?
Pelo contrário, ficamos muito felizes com a possibilidade de atingir um público diferente daquele que estávamos habituados
Como foi ganhar o VMB em 2004 na categoria independente? Isso mudou a história da banda como?
Esse prêmio foi bacana porque realmente não esperávamos, e acabou abrindo portas, tornando a banda um pouco mais falada, mais conhecida
O que vocês acham do projeto da Virada Cultural?
Adoramos, de darmos pulos a cada vez que nos chamam. É ótimo ver as pessoas ocupando as ruas e os horários improváveis com esse interesse por música, por dança, por teatro
O que podemos esperar do seu show na Virada?
Vamos tocar com vontade e amor
 
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Entrevista: Banda Seychelles está contando as horas para tocar em Rio Preto

May 14, 2009

A Seychelles é uma daquelas bandas que você aprende a gostar. Com jeito diferente, música diferente e performance impressionante, não dá pra esquecer. Me lembro quando assisti o show da banda pela primeira vez. Eu fiquei com olhar de “eles estão malucos”, “nossa que psicodelia”, o tempo todo. Mas é um show imperdível, vindo de uma banda independente como eles. Confira abaixo entrevista com a banda, onde eles falam desse jeito nonsense (ou não) e a expectativa para tocar em Rio Preto. Entrevista: Natália Clementin

Li uma entrevista em que disseram que a banda faz show “nonsense”, o que vocês acham disso?
Para falar a verdade, não sei se o Seychelles é tão nonsense assim ou se é o rock que anda muito sério, muito careta, preso demais a formatos já consagrados ou simplesmente reproduzindo tendências. Quando a gente sobe no palco, procuramos vivenciar e apresentar ao público um certo “espírito libertário”, uma certa fantasia. Creio que esse é um pouco o papel das artes: fazer as pessoas sonharem. E, no palco, para a gente atingir esse tipo de resultado, não há regras, não há limites. Usamos o que estiver à mão para fazer daquele show o mais inesquecível para quem estiver assistindo – seja na iluminação do palco, nos figurinos, na performance corporal, na escolha do repertório. Tudo com um pequeno grau de irreverência, de ironia. Creio que o Seychelles está criando sua identidade como banda sobre esses pilares.

Como vocês definem então o som de você?
Definir o próprio som é sempre uma tarefa ingrata. A gente prefere tocar e deixar que as pessoas definam. Mas, justamente por esse espírito libertário que mencionei, a gente encontra referências nas grandes bandas dos anos 70 na Inglaterra (Beatles, Stones, Who, Quenn, Pink Floyd, Black Sabatth…), no legado dos Mutantes, mas sempre apontando para a frente, vislumbrando um som, uma mensagem que tenha a ver com a época, com a realidade que a gente vive. Somos uma banda do século XXI

Porque vocês resolveram fazer música do jeito que fazem, nada comum?
Não se trata de algo racional. Algo como: “vamos fazer desse jeito para poder soar assim”. Música é intuição, é instinto. Quando a gente compõe, é como se estivéssemos colocando um filho no mundo. Você cria as condições para que ele nasça com saúde, com carinho, num lar estável… Mas, quando nasce, ele é do mundo. Já não te pertence mais. Com a música é a mesma coisa. Compor, fazer um disco, é um gesto de amor, de generosidade. E, ao mesmo tempo, o Seychelles é formado por 4 indivíduos completamente diferentes entre si. Quer dizer, por mais que eu componha uma letra, pense numa linha de guitarra, numa melodia, quando chega na hora do ensaio, dos outros músicos darem sua cara para a música, o produto final é algo totalmente imprevisível.

Como foi gravar o segundo CD da banda, lançado recentemente?
Foi um processo árduo, longo (pouco mais de um ano gravando), mas de profunda realização. Chegamos a gravar em 4 estúdios diferentes (!) e tivemos a ajuda de um grande produtor, o Fabio Pinc, que entendeu perfeitamente o que queríamos e nos ajudou a chegar ao resultado pretendido. Posso dizer que nesse disco não fizemos concessões, não passamos vontade. Tudo que a gente estava a fim de fazer, está lá.

O pq esse disco foi disponibilizado gratuitamente na internet? Pq tomaram essa decisão?
Queremos democratizar, facilitar o acesso do público ao nosso disco. Somos independentes, não contamos com um mega esquema de distribuição em nível nacional. Se o cara na Paraíba, em Roraima, no Acre, no Japão ou em Marte quiser baixar as músicas, basta entrar em nosso site. No Brasil, artista não ganha dinheiro vendendo disco, mas sim fazendo show, promovendo ações culturais.

O que vocês acham do projeto da Virada Cultural?
Trata-se de um projeto de primeiro mundo. Eu toquei na Virada em São Paulo no ano passado com uma outra banda que mantenho com Edgard Scandurra (Ira!) e posso te dizer que foi um momento inesquecível. Tocar rock às 6 da manhã para uma platéia ensandecida de mais de 10 mil pessoas é algo que vou me lembrar para sempre.  Também é um momento especial para a cidade, para os cidadãos, que podem ver seus artistas de graça, se locomover de metrô durante a madrugada. A cidade vira uma festa, respira arte de verdade.

Como será tocar em Rio Preto?
O convite para tocar em Rio Preto é motivo de grande honra e satisfação para o Seychelles. Será nossa primeira vez. Há alguns anos temos rodado o interior de São Paulo e, cada vez que a gente volta a esses locais, percebemos que o público aumentou. E não é um público qualquer. Não é um público que viu a gente na televisão, no jornal. Na maioria, trata-se de um público exigente, que foi atrás, que entrou no site, que conhece os discos, sabe cantar as músicas, que depois do show nos chama a atenção por não ter tocado determinada música. É uma moçada consciente, bacana, que vive o rock no seu dia a dia. É algo que tratamos com muito respeito. O público é sagrado. Estamos com uma super expectativa para conhecer a cidade e o público de Rio Preto. Contando as horas…

Faça o download dos EP’s da banda aqui: http://www.sey.art.br/downloads/
 
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