Hoje em dia transar aos 15 anos é normal para muitas pessoas. Mas, nem sempre foi assim. Antigamente, não ser virgem desmoralizava a honra. A ideia do vestido branco na cerimônia do casamento já remetia a isso: pureza e castidade.
Para a psicóloga e sexóloga Cláudia Longhi, as preocupações ainda existem, mas a culpa de não ser mais virgem vem diminuindo. “Algumas mudanças de comportamento vêm acontecendo com a liberação sexual, com o uso do anticoncepcional, com uma autonomia maior da mulher. Isso faz com que aparentemente a mulher e o homem não fiquem preocupados em ter um único parceiro”, diz.
O TEMMAIS.COM resolveu abrir o bate-papo com garotas de idades diferentes para ver o que elas acham disso tudo. Embora diferentes, as opiniões mostraram que elas são mais parecidas do que imaginavam. O saldo da conversa você confere aqui! Por: Natália Clementin

Quem participou:
Natália, repórter
Lluhhh, 16 anos
AriF, 22 anos
Bonekita, 25 anos
Lluhhh: A virgindade feminina sempre foi um tabu na sociedade. Eu acho que ainda hoje é, pelo menos na minha casa. AriF: Eu discordo! Antigamente as mulheres se respeitavam e eram mais valorizadas. Bonekita: Na minha casa meus pais nunca falaram comigo sobre virgindade ou sexo. Achavam que o que eu tinha que saber estava nas revistas, com as amigas e aí que está o erro muitas vezes… Natália: Vocês não falam com os pais sobre o assunto? Bonekita: Eu sim. Quando morava com meus pais, a única coisa que minha mãe dizia era: olha, toma cuidado, não vai fazer nada de errado. Por isso, achava que sexo era errado. Quando perdi a virgindade, eu achei que tinha feito algo de muito ruim, me senti culpada. Lluhhh: Hoje em dia não é assim. Nós filhos temos liberdade de falar a respeito disso, antes isso não acontecia. AriF: Tem gente que utiliza essa liberdade de maneira incorreta. Lluhhh: Exatamente. Tenho amigas que confundem a liberdade dos pais com independência e acham que perder a virgindade é ser “adulta”. Nada a ver! Tem que ter valor isso sim! Natália: Vocês acham que estes valores atuais podem gerar fatores negativos para a sociedade? Bonekita: Hoje perder a virgindade com qualquer um é normal, ficar grávida cedo é normal. Eu não concordo! As mulheres não podem achar que ser virgem é “errado” e sair transando por aí. Lluhhh: Gravidez e DST’s na adolescência vêm aumentando. Isso é horrível, acho muito negativo. AriF: E isso faz com que a infância acabe mais cedo. Lluhhh: É nessas horas que eu acho que “antigos valores” devem ser repensados. Natália: Vocês acham que a virgindade está perdendo o valor de antes, muda alguma coisa na maneira dos meninos olharem as garotas? AriF: Lógico, hoje os meninos conhecem as meninas e sabem muitas vezes, que não precisam namorar para ter algo com elas. Eles não ficam encanados se elas são virgens ou não. Bonekita: Isto é horrível. Mas acho que é uma conseqüência do que a sociedade impôs a nós. Valorizar a virgindade hoje é interpretado como “antiquado” por muitas pessoas. Quem você conhece que namora anos e não transa? Antigamente nem se beijavam direito antes de casar. Lluhhh: Acho que a liberdade demais é o problema. Aí as pessoas confundiram tudo e acham que é normal transar, por exemplo, no primeiro mês de namoro. Bonekita: O importante é que as pessoas não confundam liberdade com virgindade. Uma coisa não tem nada haver com a outra. O mundo não muda quando não se é mais virgem e a realidade não se parece em nada com os filmes e novelas. Lluhhh: Mais muita gente se ilude e acha que sim. Natália: O que as meninas podem fazer para que juntar a vida sexual moderna com os valores de antigamente? Bonekita: Acho sinceramente que muitas meninas bem jovens hoje são ‘oferecidas’. E isso não vai mudar. Falta a família olhar mais para seus filhos. Lluhhh: Também acho a família fundamental, mas eu acho que ainda pode ser feito alguma coisa. Se já mudou uma vez, os valores podem mudar de novo, mas não tão rígidos. AriF: As meninas também não podem ceder a pressão das amigas ou do namorado também se não está com vontade. Isso não é ser antiquada, é ser integra e se respeitar. Lluhhh: Isso é. Garotas têm que se respeitar primeiro para depois serem respeitadas.
O papel dos homens nesta história
R. M têm 20 anos e admite: “Eu não ligo muito se a garota é virgem ou não. Se ela não é minha namorada, vou pensar primeiro em mim”. O que R. disse é a realidade para muito homens. Antes, os homens sabiam que transar era após o casamento e remetia a um compromisso. Hoje em dia, qual o limite? Ele simplesmente não existe. A mudança de caráter e de comportamento veio de ambas as partes.
Ser virgem depende muito mais de crenças religiosas ou vínculos familiares do que a abstinência do prazer. “Um garoto que tem em sua história sexual 10 meninas é visto diferente da garota que já teve 10 parceiros. Ele é visto como o garanhão, enquanto ela, a galinha”, explica a psicóloga e sexóloga Cláudia Longhi.
Antigamente, os homens eram pressionados a iniciar a atividade sexual com prostitutas. Isso mostrava que eram “homens” sem violar a pureza de uma mulher com a qual eles poderiam mais tarde se casar. Quem se negava a ter tal atitude tinha sua masculinidade sob suspeita. Hoje, isso ainda acontece, mas a pressão vem dos amigos, que narram suas aventuras e cobram dos colegas relatos de suas conquistas. Por isso, muitos garotos inventam emocionantes aventuras sexuais para se livrar do desconforto da conversa. Isso mostra uma sociedade pressionada a perder a virgindade pelo medo do preconceito ou pelo fato de não se encaixar ao grupo.
“A preocupação é de que hoje o sexo não está relacionado ao afeto. Esse comportamento mais tarde pode gerar angústia. Para transar, o menino ou a menina precisa antes construir uma maturidade afetiva. Hoje ainda existem as preocupações, mas a menina sabe que só porque transou não terá que se casar com aquela pessoa”, acredita Cláudia Longhi.
Quando a virgindade está em jogo, a palavra “quando” não interessa. A especialista ressalta: “O importante é estar preparado para o momento e fazê-lo de maneira consciente e segura”.